Algumas trajetórias dentro do airsoft não são marcadas apenas por jogos ou operações. São histórias construídas na insistência, na adaptação e, principalmente, na decisão de não sair — mesmo quando o ambiente parece não estar pronto para você.
A história de Rosi Virgolino, de Campina Grande, na Paraíba, segue exatamente esse caminho.
O início veio em 2021, dentro do GOP (Grupo Operacional Pacificadores), ainda em um cenário onde a presença feminina era mínima. Na época, eram apenas três mulheres no grupo. Com o tempo, esse número diminuiu. Uma saiu. Depois outra. E ficou só ela e Natália.
É nesse tipo de contexto que muita gente desiste.
Rosi não.
Ela permaneceu.
Ficou até setembro de 2023, acumulando experiência, enfrentando a rotina de treinos e jogos, entendendo na prática o que é se manter ativa em um ambiente que ainda carrega resistência quando o assunto é mulher em campo.
Depois da saída do GOP, veio um novo capítulo: o convite para integrar o Maníacos Airsoft/PB, equipe onde segue até hoje. A mudança não foi apenas de grupo — foi de fase.
Com o tempo, o jogo expandiu.
Vieram operações em Campina Grande e cidades próximas como João Pessoa, Coxixola e Pocinhos. Depois, experiências fora do estado: Curitiba, Rio Grande do Norte e Rio de Janeiro. Cenários diferentes, estilos diferentes, exigências diferentes.
Jogos noturnos, mata fechada, CQB.
Ambientes que testam qualquer operador.
Respeito Não É Dado — É Conquistado

São os enfrentamentos.
Logo no início, um dos maiores desafios foi algo que muita gente ainda finge que não existe: ser reconhecida como operadora.
Não apenas estar no jogo — mas ser levada a sério dentro dele.
Ainda hoje, segundo ela, existem situações em que alguns jogadores simplesmente não aceitam “morrer” quando são atingidos por uma mulher. Em outros momentos, a dificuldade aparece na liderança. Quando assume posição de comando, nem todos escutam. Preferem seguir a voz de outro homem, mesmo dentro da mesma equipe.
É o tipo de obstáculo que não aparece em foto, nem em vídeo.
Mas está ali.
E pesa.
Por outro lado, o cenário não é feito só de resistência. Também existem aqueles que fortalecem. Jogadores que se aproximam, ajudam, orientam, compartilham conhecimento e contribuem para que o ambiente funcione da forma que deveria: com respeito e cooperação.
E é nesse equilíbrio entre desafio e apoio que Rosi construiu sua permanência.
Da Jogadora à Representante
Em meio a essa caminhada, um novo ponto de virada surgiu fora do campo.
Durante buscas na internet, Rosi encontrou a LINDAFEM. Começou acompanhando, como muitas fazem. Observando, entendendo, se identificando.
Até decidir se aproximar.
Se cadastrou.
Passou a fazer parte.
E, com o tempo, veio o reconhecimento.

Mais do que um título, essa posição reforça algo que já vinha sendo construído há anos: presença.
Muito Além do Jogo
A trajetória de Rosi não se resume a times, operações ou cargos.
O que sustenta essa caminhada é algo mais profundo.
O airsoft, para ela, se tornou uma forma de se testar. De entender seus próprios limites físicos, de trabalhar agilidade, resistência e tomada de decisão sob pressão.
Mas não só isso.
Também virou ferramenta para lidar com questões pessoais. A ansiedade encontrou no jogo um espaço de controle. A timidez, aos poucos, foi perdendo força diante da necessidade de interação e posicionamento dentro das partidas.
O campo virou mais do que cenário.
Virou processo.
O Próximo Capítulo Já Está Marcado
A trajetória de Rosi Virgolino segue em movimento, e o próximo passo já tem destino definido.
Em abril de 2026, ela estará no Rio de Janeiro para participar da Operação Quitéria, a primeira operação oficial organizada pela LINDAFEM.
Mais do que um evento, a operação representa um marco. É o momento em que tudo aquilo que vem sendo construído: conexão entre estados, fortalecimento da presença feminina e liderança dentro do airsoft ganha forma em campo, de maneira concreta.
Para Rosi, não é apenas mais uma operação no currículo.
É a continuação natural de uma caminhada que começou lá atrás, ainda como jogadora iniciante em Campina Grande, e que hoje se transforma em representação, responsabilidade e protagonismo dentro de um movimento nacional.
Estar presente nesse momento não é coincidência.
É consequência direta de quem escolheu permanecer.
Fechamento do Colunista
A história de Rosi Virgolino não é sobre facilidade. Nunca foi.
É sobre permanência em um ambiente que ainda está em transformação. Sobre continuar jogando mesmo quando é preciso provar, mais de uma vez, que você pertence ali. E, principalmente, é sobre evolução.
Porque no airsoft, assim como fora dele, não é o começo que define alguém. É a decisão de continuar.
E Rosi fez essa escolha.
Não só de permanecer, mas de crescer, liderar e abrir caminho para que outras mulheres não precisem começar do zero. 🎯



